Piraíba do Rio Araguaia: pesca permitida, mas consumo proibido
A piraíba é um dos maiores peixes de água doce do mundo e está protegida por lei em Goiás devido ao risco de extinção.
No coração do Rio Araguaia, a piraíba, também conhecida como ‘tubarão de água doce’, é uma presença imponente que atrai pescadores de diversas partes. Contudo, apesar de ser permitida a pesca esportiva, o consumo desse gigante aquático é proibido em Goiás. A razão para tal restrição é a conservação da espécie, que é classificada como em defeso pela Lei Estadual nº 13.025/1997, visando evitar sua extinção.
Importância ecológica e ameaças
A piraíba desempenha um papel crucial no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, sendo um predador que ajuda a controlar populações de peixes menores, como as piranhas. O biólogo Edson Abrão destaca que o crescimento lento e a reprodução tardia da piraíba tornam-na particularmente vulnerável à pesca predatória e ao comércio ilegal, com alguns exemplares capturados antes de atingirem a idade reprodutiva.
Desafios para a preservação
Além de sua importância ecológica, a carne da piraíba é altamente valorizada, com o quilo chegando a aproximadamente R$ 100 em algumas regiões, o que intensifica a pressão sobre a espécie. Sem medidas de proteção efetivas, a piraíba corre o risco de desaparecer dos rios brasileiros nas próximas décadas, conforme alerta o biólogo.
Características do ‘tubarão de água doce’
A piraíba (Brachyplatystoma filamentosum) é o maior bagre da América do Sul, podendo ultrapassar 3,5 metros de comprimento e pesar até 270 quilos. Sua presença se estende desde a Bacia Amazônica até a Araguaia-Tocantins, além de rios em países como Peru, Colômbia e Venezuela. Com hábitos noturnos e alimentação piscívora, a piraíba contribui significativamente para a manutenção do equilíbrio ambiental.



