Nacional

Nascimentos voltam a crescer no Brasil após seis anos e interrompem sequência de quedas

Alta registrada em 2025 indica movimento de compensação pós-pandemia, mas especialistas alertam para envelhecimento acelerado da população


Depois de seis anos consecutivos de retração, o som do choro de bebês voltou a ganhar força nas maternidades brasileiras. Em 2025, os cartórios do país registraram 2,51 milhões de nascimentos, um crescimento de 2,3% em relação a 2024. Trata-se da primeira alta desde 2018, interrompendo uma curva descendente que, até então, parecia consolidada e irreversível. O dado sinaliza uma mudança pontual no comportamento demográfico e reacende o debate sobre o futuro populacional do país. Na média nacional, o Brasil registrou em 2025 cerca de 1,7 nascimento para cada morte, indicador conhecido como taxa de reposição. No ano anterior, essa relação era de 1,6. A melhora não está associada à redução do número de óbitos, que permaneceu estável em aproximadamente 1,5 milhão, mas sim ao aumento efetivo no número de partos registrados ao longo do ano. Analistas apontam que o avanço pode ser explicado por um efeito de compensação pós-pandemia. Entre 2020 e 2022, muitos casais adiaram a decisão de ter filhos diante da insegurança sanitária, do impacto econômico e das incertezas geradas pela crise da Covid-19. Com a retomada gradual da estabilidade social e econômica, esses planos começaram a ser colocados em prática, refletindo-se nos números de 2025. Apesar do respiro observado, especialistas alertam que a tendência estrutural segue preocupante. Projeções demográficas indicam que a população brasileira deve começar a encolher entre 2039 e 2042, quando a taxa de reposição pode cair abaixo de 1,0, patamar considerado insuficiente para manter o tamanho populacional ao longo do tempo. Esse cenário reforça o desafio do envelhecimento acelerado da população e seus impactos sobre o mercado de trabalho, a previdência e as políticas públicas. A relação entre nascimentos e mortes é determinante para o futuro econômico do país. Quanto maior o número de nascimentos hoje, maior tende a ser a população economicamente ativa em cerca de 18 anos; o inverso também é verdadeiro. O quadro, no entanto, não é homogêneo em todo o território nacional. Estados como Amazonas e Amapá registram cerca de quatro nascimentos para cada morte, enquanto no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul a proporção já se aproxima de um para um, evidenciando que o Brasil abriga realidades demográficas distintas dentro de um mesmo país.

GED

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo