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A “fezinha” vira indústria bilionária e reposiciona apostas no centro da economia brasileira

Com bilhões em receita, avanço publicitário e alertas sobre saúde mental, bets deixam o amadorismo e entram no radar econômico

Por Ana Lucia
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Transformada em hábito cotidiano para milhões de brasileiros, a aposta on-line deixou de ser entretenimento ocasional e passou a ocupar espaço relevante na engrenagem econômica do país. Em 2025, as empresas de apostas esportivas e jogos digitais registraram receita bruta de R$ 37 bilhões, com cerca de 12% desse montante direcionado ao recolhimento de impostos, consolidando o setor como uma das novas forças da economia digital.

Para dimensionar o impacto, o faturamento anual das bets se aproxima da receita da Magazine Luiza e equivale ao dobro do Produto Interno Bruto da Groenlândia, território que recentemente voltou ao noticiário internacional após declarações do então presidente norte-americano Donald Trump. O dado ilustra como a chamada “fezinha” deixou o campo simbólico para assumir escala macroeconômica.

O crescimento acelerado, no entanto, tem produzido efeitos colaterais. Em apenas 40 dias, mais de 217 mil brasileiros solicitaram autoexclusão das plataformas de apostas por meio do sistema oficial lançado em dezembro. Segundo os registros, 37% dos pedidos estão relacionados à perda de controle financeiro e ao impacto direto na saúde mental, revelando um custo social que acompanha a expansão do setor.

Mesmo diante desses alertas, o alcance das bets segue impressionante. Estima-se que 25,2 milhões de brasileiros tenham apostado ao menos uma vez em 2025, o equivalente a aproximadamente um em cada oito habitantes. A presença constante nas rotinas digitais ajudou a consolidar o setor também como potência publicitária.

Somente no último ano, as plataformas de apostas investiram cerca de R$ 1,4 bilhão em publicidade, distribuída entre TV aberta, canais pagos, rádio e serviços de streaming. O movimento reposicionou as bets como grandes anunciantes e ampliou sua influência cultural, especialmente no esporte e no entretenimento.

Em escala global, o cenário reforça essa tendência. O mercado mundial de apostas esportivas foi estimado em US$ 101 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 187 bilhões até 2030. Entre arrecadação, regulação e riscos sociais, a “fezinha” deixou de ser um jogo pequeno e passou a exigir respostas estruturais do poder público e da sociedade.

GED

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