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Supremo concentra depoimentos e acelera investigação sobre compra do Banco Master pelo BRB

Oitivas conduzidas pela Polícia Federal ocorrem em dois dias no STF por determinação do relator Dias Toffoli e apuram suspeitas de fraude bilionária no sistema financeiro

Movimentações intensas nos bastidores do Judiciário marcam o avanço das investigações sobre a negociação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília. Por determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal iniciou uma série concentrada de depoimentos de pessoas ligadas à operação financeira que envolve a aquisição de ativos considerados fraudulentos, em apuração que corre sob sigilo.

As oitivas começaram nesta segunda-feira no próprio STF e envolvem diretores, ex-diretores e executivos ligados ao Banco Master e ao BRB, instituição financeira estatal do Distrito Federal. A decisão de concentrar os depoimentos em apenas dois dias alterou o planejamento inicial da Polícia Federal, que pretendia estender os trabalhos por um período maior para aprofundar as apurações.

Entre os primeiros ouvidos está um dos principais diretores do BRB à época da negociação, além de executivos do Master e empresários ligados às empresas investigadas. Outros depoimentos estão previstos para ocorrer de forma presencial e também por videoconferência, incluindo ex-sócios do banco privado que entrou em processo de liquidação.

A investigação apura suspeitas de crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Segundo as apurações, o BRB teria adquirido carteiras de crédito do Banco Master sem lastro real, com promessas de retornos elevados, mas sem garantias efetivas de pagamento, o que pode ter gerado prejuízos bilionários.

Estimativas preliminares indicam que as irregularidades podem envolver valores de até R$ 12 bilhões. O caso ganhou maior dimensão após o Banco Central barrar a tentativa de compra do Master pelo BRB e, posteriormente, decretar a liquidação do banco privado por insolvência. Investidores afetados foram ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, que já desembolsou mais de R$ 26 bilhões.

A condução do processo pelo relator no Supremo também passou a ser alvo de questionamentos, após revelações sobre relações indiretas entre familiares do ministro e fundos com vínculos ao caso. Apesar disso, Toffoli prorrogou recentemente as investigações por mais 60 dias, mantendo o caso sob análise da Corte.

A apuração chegou ao Supremo após a Polícia Federal identificar, em documentos apreendidos, menção a um deputado federal com prerrogativa de foro, embora até o momento não haja confirmação de envolvimento direto do parlamentar.

GED

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