Ala do União Brasil insiste em Caiado como pré-candidato ao Planalto para evitar alinhamento com Flávio Bolsonaro

Mesmo diante de desempenho modesto nas pesquisas eleitorais, uma ala do União Brasil passou a defender com mais intensidade a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. A movimentação interna é vista como uma estratégia para livrar o partido da obrigação de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) e, ao mesmo tempo, evitar desgastes com a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em estados onde o petista mantém forte influência.
Lideranças da legenda avaliam que manter um nome próprio no primeiro turno permite ao partido chegar à fase decisiva da eleição com maior liberdade política. A defesa interna é de que o União Brasil libere oficialmente seus filiados para apoiar diferentes candidaturas em um eventual segundo turno, conforme os interesses regionais.
Interlocutores próximos a Caiado afirmam que o governador considera sua candidatura “irreversível”, apesar de aliados classificarem como boatos as informações sobre um eventual recuo. Em dezembro, Caiado chegou a se reunir com Flávio Bolsonaro, que tentou articular uma aliança ainda no primeiro turno. O governador, no entanto, teria sinalizado que só caminharia junto contra Lula em uma eventual segunda etapa da disputa.
A estratégia lembra o movimento adotado pelo União Brasil em 2022, quando lançou a candidatura da então senadora Soraya Thronicke, que obteve apenas 0,5% dos votos no primeiro turno. Na ocasião, o partido liberou seus quadros para apoiar Lula ou Jair Bolsonaro no segundo turno, preservando alianças estaduais.
Apesar de ter rompido oficialmente com o governo Lula em 2025, o União Brasil mantém presença relevante na Esplanada dos Ministérios. Atualmente, três ministros atuam no governo com vínculo político à sigla: Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional), Frederico Siqueira Filho (Comunicações) e Gustavo Feliciano (Turismo). A nomeação de Feliciano, em dezembro, marcou uma reaproximação com o Planalto, especialmente defendida por lideranças do partido no Nordeste.
O cálculo político do União Brasil segue a lógica do centrão: priorizar a eleição de deputados e senadores. A avaliação interna é de que um alinhamento precoce com Lula ou Flávio Bolsonaro poderia gerar rejeição e prejudicar chapas proporcionais, que são decisivas para a distribuição dos fundos eleitoral e partidário.
A situação se torna ainda mais complexa por causa da federação com o PP, liderado pelo senador Ciro Nogueira (PI), que pressiona por apoio direto a Flávio Bolsonaro. No PP, há resistência ao nome de Caiado, e setores defendem tanto o apoio imediato ao senador do PL quanto a liberação total dos filiados.
A federação União Progressista tem como meta eleger cerca de 120 deputados federais e contará com o maior fundo eleitoral do país em 2026, estimado em R$ 950 milhões, segundo levantamento preliminar da Fundação 1º de Maio.
Pesquisa recente do instituto Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira (14), mostra Lula liderando a corrida presidencial, seguido por Flávio Bolsonaro, enquanto Caiado aparece com 5% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre os dias 8 e 11 de janeiro e tem margem de erro de dois pontos percentuais.



