Grupo Super Barão busca reerguer rede em meio a dívida de R$ 147 milhões e fechamento de lojas

Em recuperação judicial, tradicional varejista goiana tenta renegociar dívidas e manter operações após queda de crédito e crise interna entre sócios
Por Ana Lucia
[email protected]
O processo de recuperação judicial do Grupo Super Barão, que tramita na 25ª Vara Cível da Comarca de Goiânia, expõe a dimensão da crise enfrentada pelo varejo supermercadista regional em meio à desaceleração econômica e à alta dos custos operacionais.
De acordo com dados do portal Empresas em Crise, a dívida declarada do grupo chega a R$ 147,7 milhões, envolvendo três empresas: Barão Especialidades & Distribuidora de Alimentos S/A, HRA Participações Ltda. (controladora) e Soma Processamento e Serviços Contábeis S/S Ltda..
Fundado em Goiás, o Super Barão chegou a operar com 27 lojas em diferentes municípios, consolidando-se como uma das maiores redes locais do setor. Hoje, no entanto, a empresa enfrenta uma profunda reestruturação para evitar a falência e garantir a sobrevivência da marca.
Entre as causas apontadas para o colapso financeiro, o grupo cita fatores externos, como o aumento da inflação, dos juros e a redução do poder de compra dos consumidores. Porém, documentos do processo revelam que problemas internos também contribuíram significativamente para o agravamento da situação.
O principal deles foi o conflito societário entre os sócios, que acabou chegando à Justiça. A disputa comprometeu a confiança de fornecedores e instituições financeiras, provocando restrição de crédito — elemento essencial para manter o fluxo de mercadorias e o abastecimento das lojas.
A estratégia de expansão acelerada iniciada em 2017 também é apontada como fator de desequilíbrio. O crescimento acima da capacidade administrativa e financeira teria resultado em operações deficitárias e em custos operacionais insustentáveis.
Com o deferimento da recuperação judicial, o grupo agora conta com o stay period de 180 dias, período previsto em lei que suspende execuções e permite a renegociação das dívidas. Nesse tempo, foram adotadas medidas emergenciais, como fechamento e venda de lojas, redução de 50% do quadro de funcionários e desativação do centro de distribuição.
A reestruturação inclui ainda revisão da política de preços, ajuste do mix de produtos e foco na rentabilidade das unidades remanescentes. Especialistas avaliam que a viabilidade do plano de recuperação dependerá da reconstrução da confiança com credores e fornecedores.
Se obtiver sucesso, o Super Barão pode se tornar um exemplo de reestruturação empresarial regional. Caso contrário, o processo poderá marcar o fim de uma das marcas mais tradicionais do varejo goiano.



