Entretenimento

Taís Araújo abre o jogo sobre queda de Raquel em Vale Tudo: “Fiquei triste e frustrada”

Desde a estreia, o remake de Vale Tudo vem sendo alvo de críticas nas redes sociais, sobretudo pela condução de sua autora, Manuela Dias. O maior ponto de atrito, no entanto, gira em torno de Raquel Acioli, papel que foi de Glória Pires na versão de 1988 e agora é interpretado por Taís Araújo.

Na trama original, Raquel conquistava independência e riqueza ao fundar a empresa Paladar, tornando-se um símbolo de superação. No remake, a personagem até alcança esse sucesso, mas por pouco tempo: logo perde tudo e retorna às praias para vender sanduíches, em posição de vulnerabilidade diante das rivais Heleninha (Paolla Oliveira) e Celina (Mallu Gali).

Em entrevista, Taís Araújo não escondeu o choque ao ler a reviravolta.

“Esse momento da Raquel voltar a vender sanduíche na praia, confesso que recebi com um susto. Porque não era a trama original. Para mim, a Raquel ia numa curva ascendente. Quando vi aquilo, falei: ‘Ué, vai voltar para a praia, gente’. Fiquei triste e frustrada.”

A atriz ressaltou que sua frustração é compartilhada pelo público.

“Como mulher negra, queria ver outra narrativa sobre mulheres negras. Achei que Raquel teria uma ascensão social a partir do trabalho, permaneceria nesse lugar e seria lindo. Isso seria uma história muito nova na teledramaturgia brasileira.”

Debate racial

A mudança na trajetória de Raquel despertou acusações de racismo contra Manuela Dias por parte de espectadores, inconformados com o destino da personagem. “Esse enredo escancara duas coisas sobre Manuela Dias: ela é racista e uma péssima escritora”, escreveu um internauta no X.

Sem citar diretamente as críticas, Taís se solidarizou com o público:

“Estou vendo tudo que as pessoas estão falando. Me alio muito a esse sentimento. Gostaria que o conflito da Raquel fosse de outra ordem, ético, com Odete. Mas o que temos é isso.”

Chamado por novas narrativas

Ao fim, a atriz fez um apelo pela construção de histórias que inspirem a população negra:

“Está na hora de ver a população negra nesse lugar. A ficção também serve para a gente sonhar, para se sentir possível. Ela tem sim um papel de responsabilidade na forma como o país enxerga o seu povo.”

GED

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo