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Primeiro confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro mistura propostas, cobranças e ataques pessoais

Candidatos discutiram segurança pública, economia, SUS, jornada de trabalho e sistema prisional, além de trocarem acusações envolvendo governos e familiares

Matteus Mascena Pereira Marçal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficaram frente a frente neste domingo (18) em debate presidencial realizado pela Band. A uma semana do segundo turno, os candidatos discutiram segurança pública, economia, saúde, trabalho e sistema prisional, além de trocarem acusações envolvendo seus governos, aliados e familiares.

Na segurança pública, Flávio defendeu maior endurecimento contra organizações criminosas, ampliação de presídios e medidas mais rígidas contra integrantes de facções. Lula, por outro lado, apresentou como prioridade uma participação maior do governo federal na área e defendeu integração entre União, estados e municípios no combate ao crime organizado.

O tema também abriu espaço para diferenças sobre o sistema prisional. Lula defendeu a possibilidade de saída temporária para presos que cumpram os requisitos legais e estejam em processo de ressocialização. Flávio criticou esse modelo e sustentou uma política mais restritiva para benefícios concedidos a condenados.

INSS e familiares entram no confronto

As investigações relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS também apareceram no debate. Flávio questionou Lula sobre o episódio e citou o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao tratar das apurações envolvendo pessoas próximas ao governo.

Lula respondeu afirmando que investigações devem ocorrer independentemente de quem esteja envolvido e disse que qualquer irregularidade deve ser apurada pelas autoridades. O presidente também levou familiares de Flávio para o confronto e fez questionamentos relacionados ao entorno político da família Bolsonaro.

A troca de acusações ocupou parte importante do encontro e, em diferentes momentos, deslocou o debate das propostas para episódios envolvendo familiares e governos anteriores.

Economia divide discursos

Na economia, Lula defendeu políticas de distribuição de renda, estímulo ao consumo e apoio aos pequenos negócios. O presidente utilizou programas de seus governos como referência para sustentar a continuidade de medidas voltadas à renda e ao emprego.

Flávio concentrou sua fala no custo de vida, nos juros e no endividamento de famílias e empresas. O candidato afirmou que pretende facilitar o acesso ao crédito e criar condições para renegociação de dívidas.

O senador também apresentou a proposta de criação de um Ministério da Prosperidade. Segundo ele, a nova estrutura teria como objetivo estimular qualificação profissional, empreendedorismo e geração de renda, especialmente em áreas periféricas.

Saúde e SUS entram na discussão

Na área da saúde, Flávio negou que pretenda privatizar o Sistema Único de Saúde e defendeu maior uso de tecnologia na rede pública. Entre as medidas citadas estiveram a criação de prontuário eletrônico integrado e a ampliação da telemedicina.

Lula reagiu destacando a importância da manutenção do caráter público do SUS e utilizou o tema para recordar divergências com o governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia. O confronto mostrou posições diferentes sobre a forma de gestão e organização do atendimento público.

Escala 6×1 também é abordada

A jornada de trabalho entrou no debate com a discussão sobre o fim da escala 6×1. Flávio afirmou ser favorável à mudança e disse considerar importante ampliar o tempo disponível para descanso e convivência familiar.

Lula questionou se haveria possibilidade de revisão da medida em um eventual governo do adversário. Flávio negou intenção de desfazer a mudança e manteve a posição apresentada durante o confronto.

Ao longo do debate, propostas e cobranças dividiram espaço com ataques pessoais. Segurança pública, preços, emprego, atendimento no SUS, jornada de trabalho e sistema prisional estiveram entre os assuntos diretamente ligados ao cotidiano apresentados pelos candidatos.

Na reta final da campanha, o encontro colocou diante do eleitor posições diferentes sobre o papel do governo federal, o combate ao crime, a condução da economia, o funcionamento dos serviços públicos e as relações de trabalho. O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro.

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