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Apostas entram nas igrejas e desafiam famílias a romper o silêncio

No Tempo de Decisão, Katyene de Paula defendeu que comunidades cristãs reconheçam o sofrimento emocional sem estigma e encaminhem pessoas afetadas para cuidado profissional

O vício em apostas não fica do lado de fora das igrejas. Ele alcança jovens, adultos, casamentos e famílias que muitas vezes demoram a falar por vergonha, medo de julgamento ou pela expectativa de que tudo será resolvido apenas com força de vontade.
Esse foi um dos alertas do programa Tempo de Decisão, conduzido pelo pastor Epaminondas Filho, com a participação da psicanalista Katyene de Paula, na Fox TV Brasil.

Com o tema “Entre a promessa e a prisão”, a entrevista mostrou como as apostas online podem se misturar a dores emocionais, dívidas e isolamento.

Katyene explicou que o primeiro impulso nem sempre nasce de um plano racional de lucro, mas da tentativa de aliviar tédio, angústia, solidão ou frustração.

Para o programa cristão, o desafio é unir verdade, acolhimento e responsabilidade, sem confundir fé com silêncio diante do sofrimento.

Pesquisa PoderData realizada de 27 a 29 de setembro de 2025, com 2.500 entrevistados, apontou que 41% dos evangélicos disseram já ter feito apostas online.
Entre católicos e evangélicos que apostaram, 35% relataram dívidas causadas pelos jogos.
O levantamento não diagnostica dependência, mas mostra que o problema atravessa comunidades religiosas.

A entrevista tratou a fé como parte de uma rede de cuidado. Katyene afirmou que cristãos podem esconder ansiedade, pânico ou compulsões por receio de serem vistos como espiritualmente fracos.

Quando o sofrimento vira motivo de vergonha, a pessoa adia o pedido de ajuda, a família perde sinais importantes e o comportamento pode avançar em silêncio.

Epaminondas reconheceu que setores das igrejas já olharam com preconceito para a psicologia, a psicanálise e a psiquiatria, como se tratamento significasse falta de fé. Para o pastor, esse entendimento precisa mudar.

A comunidade cristã pode acolher, ouvir, orar e encaminhar, sem transformar o púlpito em consultório nem abandonar quem enfrenta uma compulsão.

A Palavra de Deus oferece um princípio ao debate. Em 1 Coríntios 6:12, Paulo declara: “Eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.

O texto não fala diretamente de apostas, mas ajuda a compreender o risco de uma prática que governa escolhas, recursos, relacionamentos e consciência. Liberdade cristã não é permanecer preso ao que destrói.

Fé e acompanhamento profissional não são caminhos rivais. Quando há perda de controle, endividamento ou alterações de humor, o cuidado pode reunir apoio pastoral, escuta familiar, psicoterapia e avaliação médica. Katyene ressaltou que cada história deve ser avaliada individualmente e o tratamento conduzido por profissionais habilitados.

A família também precisa rever atitudes. Celebrar o ganho e condenar apenas a perda normaliza a aposta. A resposta responsável combina diálogo, atenção ao orçamento e recusa em financiar novos jogos.
Acolher não é encobrir dívidas; é permanecer perto, falar a verdade com amor e ajudar a interromper o ciclo.

Caminho da recuperação

O programa contrapôs a promessa de ganho rápido ao caminho da recuperação. Para Katyene, a cultura do imediatismo torna o atalho sedutor e reduz a tolerância à frustração. Ela advertiu:

Se a gente não debater isso agora, a próxima geração vai crescer achando que apostar é sinônimo de investir.”

A legislação permite apostas por empresas autorizadas, mas também prevê jogo responsável e controle da publicidade. A autorização estatal não transforma aposta em investimento, não garante renda nem elimina riscos familiares.

Quem percebe dificuldade de parar, mentiras sobre gastos, uso do orçamento da casa ou mudanças de humor deve procurar ajuda.
O atendimento pode começar em uma Unidade Básica de Saúde e, conforme o caso, seguir para um Centro de Atenção Psicossocial. Familiares e líderes não precisam esperar uma crise grave.

No encerramento, Epaminondas recordou Esaú, em Gênesis 25:29-34. Movido pela necessidade imediata, ele trocou a primogenitura por uma refeição.
A passagem foi apresentada como alerta contra decisões que entregam algo valioso por alívio passageiro. Para o pastor, apostas prometem vitórias rápidas e deixam destruição lenta.

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