A reta final da eleição presidencial divide as atenções com novas articulações partidárias e movimentos que começam a redesenhar o cenário político de Goiás.
Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro chegam aos últimos dias de campanha empatados no Datafolha, lideranças goianas discutem federações, aproximações e a reorganização de forças para o próximo ciclo político.

Nesta edição do Antenado, as movimentações passam pela tentativa de aproximação entre MDB e PSD, pela presença de Flávio Bolsonaro em Goiás ao lado de nomes da música sertaneja, pelas discussões internas do PL e pelas articulações envolvendo a Assembleia Legislativa.
Empate na reta

A três dias do segundo turno, pesquisa Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 50% dos votos válidos. O levantamento ouviu 2.520 eleitores entre os dias 20 e 22 de outubro e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Nos votos totais, Flávio aparece com 47% e Lula com 46%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-09709/2026.
A disputa chega, portanto, aos últimos dias sem vantagem que permita apontar liderança fora da margem de erro. Mais do que nunca, mobilização e comparecimento ganham importância na reta final.
Mobilização decisiva
Com a disputa presidencial equilibrada, as campanhas concentram esforços na mobilização dos eleitores. A avaliação das equipes passa especialmente por segmentos e regiões em que ainda existe espaço para ampliar o comparecimento às urnas.
O próprio Datafolha mostra diferenças importantes entre grupos do eleitorado. Lula registra percentuais maiores entre eleitores de menor renda, católicos e moradores do Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta números superiores entre evangélicos, homens e eleitores do Sul, além de outros segmentos.
Força sertaneja

Flávio Bolsonaro passou por Goiás e participou de uma mobilização com mais de 30 artistas sertanejos na Fazenda Toca da Orca, em Nerópolis, propriedade do senador Wilder Morais. Entre os presentes estavam Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo, Murilo Huff, Felipe Araújo, Jorge e Marrone.
Nova federação

Daniel Vilela e Ronaldo Caiado retomaram a discussão sobre uma possível federação nacional entre MDB e PSD. Daniel afirmou defender a proposta internamente no MDB, enquanto Caiado deverá trabalhar o assunto dentro do PSD.
Somadas, as duas legendas elegeram 80 deputados federais. A construção, porém, ainda enfrenta resistência nacional e depende de entendimento entre as direções partidárias. Lideranças ouvidas pela imprensa apontam dificuldades para que a proposta avance.
Aproximação I

A bancada eleita do PL na Assembleia Legislativa entra no radar das articulações com o governo Daniel Vilela. Gustavo Gayer aparece à frente das conversas, enquanto o partido também precisa administrar diferentes posições internas sobre a relação com o Palácio das Esmeraldas.
O movimento será acompanhado de perto porque envolve uma das principais forças partidárias eleitas em Goiás e ocorre justamente quando as legendas começam a reorganizar suas posições depois das urnas.
Aproximação II
Dentro do próprio PL, a relação com o governo estadual não é tratada de maneira uniforme. Enquanto existe espaço para diálogo por parte de algumas lideranças, outras defendem a permanência da legenda no campo de oposição.
A definição dessa postura terá influência direta na composição política da Assembleia e na relação do partido com Daniel Vilela durante o novo mandato.
Caiado nega
Ronaldo Caiado negou a existência de negociação para assumir ministério em eventual governo de Flávio Bolsonaro.
O nome do ex-governador passou a ser citado em especulações sobre áreas como Segurança e Agricultura, mas Caiado afirmou não existir articulação nesse sentido. O movimento nacional continua sendo acompanhado de perto em Goiás diante do peso político conquistado pelo ex-governador dentro do PSD.
Compromisso mantido

A aproximação do vereador Felipe Cortez com a Assembleia de Deus Vila Nova não muda, por enquanto, o projeto político da igreja para 2028.
Rafael Gouveia, uma das lideranças da denominação e filho do pastor José Gouveia, reafirmou que o compromisso do núcleo político permanece com Hanleryo Arantes, atual secretário municipal de Defesa do Consumidor na gestão Leandro Vilela.
Felipe é considerado bem-vindo à igreja, mas uma eventual representação política do grupo pelo vereador dependeria de uma discussão mais ampla. Para a próxima disputa pela Câmara de Aparecida, Hanleryo segue como o nome definido pela liderança.
Tejota no jogo
Bruno Peixoto sinalizou que pretende trabalhar pela permanência de Lincoln Tejota na Assembleia Legislativa. Tejota terminou a eleição como primeiro suplente da Federação União Brasil Progressistas.
Entre as possibilidades discutidas politicamente está uma eventual abertura de espaço por meio da indicação de parlamentar reeleito para o Tribunal de Contas do Estado ou Tribunal de Contas dos Municípios, além da possibilidade de ocupação de cargo no primeiro escalão do governo. Bruno, entretanto, ressaltou que atualmente não existe vaga em aberto nos tribunais em discussão.
Sucessão na Alego
Com Bruno Peixoto eleito deputado federal, a sucessão no comando da Assembleia Legislativa passa a ocupar espaço nas articulações políticas.
A definição envolve parlamentares reeleitos e integrantes da base governista, em uma disputa que terá importância não apenas para a organização interna da Casa, mas também para a relação institucional entre o Legislativo e o governo estadual.
Comando temporário
Antes da mudança definitiva de comando na Assembleia, Bruno Peixoto também aparece no centro de outra situação institucional: a possibilidade de assumir temporariamente o Governo de Goiás durante eventual ausência do chefe do Executivo.
A passagem, ainda que temporária, colocaria o presidente da Alego no comando do Estado e reforçaria o peso institucional do Legislativo no atual cenário político.
O jogo depois das urnas
A eleição presidencial concentra as atenções neste fim de semana, mas a política goiana já apresenta movimentos que ultrapassam a disputa nacional.
A discussão sobre MDB e PSD, a reorganização do PL, a sucessão da Assembleia Legislativa e as articulações municipais mostram que o encerramento das eleições não significa o fim das negociações. Ao contrário: concluída a disputa nas urnas, começa uma nova etapa de composição de forças, definição de espaços e construção das alianças que irão orientar os próximos anos.
Leia a coluna na íntegra
Abaixo, confira a página original do ANTENADO publicada na edição impressa do Diário Goiás em Destaque, com todos os destaques e a diagramação completa da coluna.





