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Uma competição e 744 estudantes: o que essa cena em Goiânia diz sobre a próxima geração?

Entre códigos, sensores e robôs, estudantes de Goiás levantam uma questão maior: como estamos preparando uma geração cercada por tecnologia?

Matteus Mascena Pereira Marçal
@matteus.marcal

Neste fim de semana, uma cena diferente ocupou a Universidade Federal de Goiás, em Goiânia. Cerca de 744 estudantes dos ensinos fundamental e médio participaram da etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica. Em equipes, eles colocaram máquinas para enfrentar obstáculos, interpretar ambientes e cumprir missões inspiradas em situações de resgate.
O evento chama atenção pelos robôs, naturalmente. Mas talvez exista algo mais interessante acontecendo ao redor deles. Estamos diante de uma geração que cresceu cercada por tecnologia. Celular, algoritmo, inteligência artificial, videogame e redes sociais já fazem parte do cotidiano de muitos jovens.

Na competição, porém, a relação muda: em vez de simplesmente receber uma tecnologia pronta, os participantes precisam construir, programar, testar e descobrir por que aquilo que imaginaram nem sempre funciona.
Na modalidade de resgate, por exemplo, o robô precisa atuar de forma autônoma em um ambiente que simula um desastre. Os estudantes não ficam controlando cada movimento durante a missão. Antes disso, precisam pensar na programação, nos sensores e nas estratégias que permitirão à máquina reagir aos obstáculos. Há ainda robótica artística e uma modalidade virtual de simulação.

Mas uma competição como essa também provoca perguntas que vão além de programação.

Quanto contato com tecnologia é necessário na formação de uma criança ou adolescente? Todos deveriam aprender programação? Robótica deveria estar mais presente nas escolas? Ou estamos colocando sobre a tecnologia expectativas que antes depositávamos em outras áreas do conhecimento?

E existe uma questão ainda mais delicada: acesso.

A Olimpíada recebe estudantes de escolas públicas e particulares e é uma iniciativa gratuita. Isso amplia a participação, mas não elimina uma realidade conhecida: as condições para chegar a experiências tecnológicas podem ser muito diferentes entre estudantes.
Por outro lado, talvez seja justamente por isso que espaços de experimentação despertem interesse.

Um robô que não executa a tarefa esperada obriga alguém a perguntar por quê. É o código? O sensor? A estratégia? A construção?

A equipe precisa testar uma hipótese e, se ela estiver errada, tentar novamente. Esse processo não pertence exclusivamente à robótica. Resolver problemas também significa questionar aquilo que parecia certo.
De um lado, máquinas cada vez mais capazes de fazer coisas por nós. Do outro, estudantes tentando descobrir como fazer uma máquina funcionar.
Em uma geração que terá cada vez mais tecnologia disponível, será mais importante saber usar as máquinas, saber construí-las ou aprender a questionar aquilo que elas fazem?
Talvez a resposta não esteja nos robôs. Está no que queremos que essa próxima geração seja capaz de fazer quando eles estiverem por toda parte.

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