Estudo revela que 2 mil municípios brasileiros têm falhas na gestão de desastres
Levantamento do Cemaden aponta que 75% dos municípios não possuem planos adequados para gestão de riscos de desastres, com falhas mais acentuadas no Nordeste.
Um estudo recente conduzido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) trouxe à tona uma preocupante realidade sobre a preparação dos municípios brasileiros para enfrentar desastres naturais. Segundo a pesquisa, mais de 2 mil cidades no Brasil não possuem planos e instrumentos básicos para se protegerem de eventos como deslizamentos e enchentes.
Os dados, publicados na Revista Brasileira de Geografia, indicam que 75% dos municípios brasileiros têm menos da metade dos planos e mapeamentos obrigatórios de Gestão de Riscos de Desastres (GRD), conforme exige a legislação nacional. Além disso, 91% das cidades não dispõem de projetos de obras que poderiam mitigar os riscos associados a esses desastres.
Desafios no Nordeste
A situação é ainda mais grave no Nordeste, onde as prefeituras enfrentam limitações de recursos e estrutura, dificultando a implementação de medidas eficazes de prevenção. O estudo, intitulado “Capacidades organizacionais de gestão de riscos de desastres geo-hidrológicos em municípios prioritários no Brasil”, destaca que menos de 9% dos municípios analisados possuem instrumentos de maior complexidade, como planos de implantação de obras e serviços para redução de riscos.
Capacidades organizacionais insuficientes
O termo “capacidades organizacionais” refere-se às ferramentas essenciais que uma prefeitura deve possuir para funcionar corretamente, incluindo recursos financeiros, humanos, tecnológicos e apoio político. A pesquisa revelou que, mesmo entre os municípios listados como de alto risco, 13% não possuem uma defesa municipal estruturada. Enquanto 63% das cidades estão mais preparadas para mapear enchentes, apenas 45% têm planos para deslizamentos.
O autor principal do estudo, André Luiz Martins Cotting, ressaltou a necessidade de atualizar o cadastro de municípios prioritários e de implementar iniciativas que fortaleçam as capacidades desses municípios para que possam efetivamente aplicar os instrumentos de gestão de risco de desastres.



