Produtora de ‘Dark Horse’ é investigada por desvio de verba pública
A Polícia Civil investiga suspeitas de desvios de recursos destinados à instalação de Wi-Fi em comunidades de São Paulo, que teriam sido usados na produção do filme ‘Dark Horse’.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1°/6) uma operação para investigar suspeitas de fraude em um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto é responsável pela produção do filme ‘Dark Horse’, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As investigações apontam que recursos que deveriam ser destinados à instalação de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital paulista teriam sido desviados para a produção cinematográfica. O contrato, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o ICB, é alvo de denúncias de irregularidades desde sua origem.
Irregularidades e suspeitas
A polícia identificou que o chamamento público contou apenas com a participação do ICB, uma entidade sem experiência no setor de telecomunicações, atuando majoritariamente em feiras de livros e eventos religiosos. Além disso, foi constatado um superfaturamento no contrato. Enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306,00 por ponto de Wi-Fi, o ICB recebia R$ 1.800,00, valor considerado acima do mercado.
Outra irregularidade apontada foi o descumprimento de metas. Dos 5.000 pontos de Wi-Fi previstos, apenas 3.200 foram instalados. Para camuflar a demora, três termos aditivos foram celebrados em curtos intervalos. Pagamentos indevidos e antecipados somando R$ 26 milhões também foram identificados, com repasses para 3.200 pontos quando apenas seis estavam operacionais.
As suspeitas indicam que parte dos recursos foi desviada para a Go Up Entertainment Ltda, produtora do filme ‘Dark Horse’, controlada por Karina Ferreira da Gama. A Prefeitura de São Paulo foi procurada para comentar a operação, mas ainda não se manifestou.



